Os desmandamentos que cercam o macho moderno
1 Chego em casa e minha mãe:
– Ligou uma moça pra você.
– Quem era?
– Ruth. Ou coisa assim.
– Ruth?! Não conheço nenhuma Ruth.
– Disse que estudou com você.
– Ah, então não seria Dina?
– Isso!
2 Um dia desses perguntou se eu não estava notando nada de diferente nela. Mencionei o cabelo, sem titubear. Ela abriu o maior sorriso, toda orgulhosa da minha prova de atenção. Daí eu, crente que tinha me dado bem, dou-lhe um abraço e falo: “Sempre achei que você ficava melhor de cabelo curto, amor”. Pra que fui dizer isso? Ela não tinha cortado o cabelo; tinha pintado. Só por causa disso, ficou uma semana de mal. Chorou e tudo. Mas já viu mulher precisar de motivo pra chorar?
3 – É a segunda vez em três minutos que você olha a hora.
– Eu tava marcando quanto tempo você passava sem reclamar de alguma coisa.
4 Desisto. Mulher não presta. Vou à China em busca das tais mulheres boas. Depois, viro gay pra ver se dou (ênfase no dou) mais sorte.
5 – Temos incompatibilidade de gênios. Nunca daria certo. Melhor abandonar o barco enquanto ele ainda está perto da praia – lamentou. – Precisamos arranjar uma namorada pra você – sentenciou o solidário. – Olhe ao seu redor e veja quem lhe interessa. Com minhas orientações, você não vai ficar na mão. Está vendo aquela ruiva? A hora é agora. Vá lá e comente algo sobre o preto de suas vestes contrastando com a brancura da sua pele.
6 Marcus Mota?! Nunca ouvi você me chamando de Marcus Mota. As pessoas costumam chamar as outras pelo nome completo quando estão chateadas. Você já notou isso? Que as pessoas chamam as outras pelo nome completo quando estão chateadas? É exatamente o contrário de quando elas querem agradar a outra pessoa ou se desculpar por alguma coisa errada, aí elas usam apelidos carinhosos. Né, Ju?
7 A moça vestia um jeans justíssimo de cintura mais-que-baixa. Mas a maior atração era o top. Top de linha. Tratava-se de uma blusa que, como diz a música de Gonzagão, começa muito tarde e termina muito cedo.
Era esse pedacinho de pano que deveria cobrir aquele farto par de seios. Deveria.
– Com todo o respeito, moça, mas seu peito tá pra fora.
– Ops! Obrigada.
– É muito bonito, carnudo...
– Brigada. São naturais.
– Não, eu estou falando do mamilo. Peito tanto faz se é pequeno, grande, caído, siliconado. Meu negócio são os mamilos.
– Eu, hein! Você é um tarado muito esquisito.
8 Finalmente resolveu atropelar o orgulho. E ligou.
– Você sumiu. Parece se importar com tudo, dar atenção a todos. Mas pra mim não liga, não escreve...
– ... Reticências. Só ouvia reticências. Até que:
– Você não acha que eu estava ocupada demais pra falar com você, não?
9 No chat:
– Tudo bem?
– :P
– Como foi a festa?
– \,,/
– Soube q você não ficou com ninguém.
– :~
Tradução:
– Tudo bem?
– Beleza.
– Como foi a festa?
– Bombou.
– Soube que você não ficou com ninguém.
– Snif.
10 Na happy hour, com o colega do escritório:
– Mas foi só beijinho ou...
– Barba, cabelo e bigode.
– E aí, como ela é?
– O que você pensa que eu sou? Não se sai espalhando por aí a intimidade de um casal.
– Tá bom. Não tá mais aqui quem perguntou.
– Paga um boquete inacreditável. Só vendo.
...se pensarmos que a vida do autor depende de inúmeros processos involuntários que se interligam em cadeias infinitas, podemos ousadamente dizer, ao ver o livro nas mãos dos leitores, que todo o universo conspirou para que ele existisse...
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Um comentário:
um dia aprendo a escrever assim... é mais fácil do q oq escrevo... e mais real e palpavel do q oq sinto! q tal um workshop?
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