sonhos e maldições

...se pensarmos que a vida do autor depende de inúmeros processos involuntários que se interligam em cadeias infinitas, podemos ousadamente dizer, ao ver o livro nas mãos dos leitores, que todo o universo conspirou para que ele existisse...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

recortes [parte dois]

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...Os homens pode mudar em pequenas coisas: vestuário, corte de cabelo, maneira... porque isso não são importantes pra nós. As mulheres não podem ser mudadas de jeito nenhum.

O máximo que se pode esperar numa relação é encontrar alguém cujos defeitos sejam do tipo que não nos incomodam. Uma mulher precisa que o homem se declare disposto a sacrificar qualquer coisa por ela. Um homem precisa que lhe declarem que está sendo útil. Quando algum deles se desvia dessa fórmula o outro perde a confiança. Quando a confiança é perdida a comunicação se deteriora. Sem confiança só se conversa coisas triviais.

Como obter confiança então?

Mentindo!

Você deve mentir sobre seus talentos e conquistas. E deve exagerar os seus defeitos. A honestidade é como a comida: ambas são necessárias, mas em excesso provocam desconforto. Quando minimiza suas realizações faz os demais se sentirem melhores em relação às realizações deles. É desonesto, mas amável.
A conversa é mais do que a soma de palavras. É uma forma de assinalar a importância do outro, mostrando àquela pessoa a nossa inclinação a conceder nosso recurso mais escasso: o tempo. É uma forma de comunicar respeito. As conversas podem ser muitas coisas, mas nunca serão inúteis.

recortes [parte um]

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Há dois tipos de gente no mundo. Um tipo é orientado para pessoas. Quando esse tipo de conversa, é a respeito de gente - o que as pessoas estão fazendo, o que alguém disse, como alguém se sentiu.
O outro grupo é orientado para idéias. Quando estes conversam falam a respeito de idéias, conceitos e objetos. E isso causa problemas na vida social, mas nem dá pra perceber de que modo.
Pessoas de idéias são maçantes até mesmo para outras pessoas de idéias. O que fazer então? Se eu te der um conselho você seguiria?

(tempo pra pensar)

Não, claro que não. As pessoas acham que seguem conselhos, mas elas não seguem. Os seres humanos são incapazes de receber informação. Eles criam seu próprio conselho. Se você procura influenciar alguém não perca tempo com conselhos. Você pode mudar o que as pessoas sabem, não o que elas fazem.

domingo, 6 de abril de 2008

necessidade

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por tempo indeterminado
este blog permanecerá
sem novos textos, loucuras
ou maldições.

tá tudo aqui dentro de mim,
mas falta alguma coisa...

talvez alguém.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

...

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...

O homem está sentado em primeiro plano nesta sala, sobre um pequeno tapete e com as pernas cruzadas numa posição ioga. O homem está descalço e sem camisa, vestindo apenas uma calça grosseira e rasgada. A barba, o bigode e os cabelos cobrem-lhe praticamente todo o rosto, mas não o suficiente para ocultar que ele é quase albino de tão louro e branco.
O homem segura uma guitarra elétrica apontada para o observador como se fosse uma metralhadora. Mas da ponta da metralhadora – ou guitarra – saem balas de confeitaria e escorre, fracamente, um líquido amarelado.
Sobre a cabeça do homem, em letras grandes e vermelhas, imitando fogo está impressa a palavra “inferno”. E, em letras menores e também vermelhas, o nome Lúcifer Smith. Envolvendo tudo há um papel celofane que é rompido nesse momento. Duas mãos retiram o disco de dentro da capa e o levam para um toca-discos no canto da sala. Esta é um outra sala com um tapete verde, móveis novos e bem organizados, adornos sombrios, quadros nas paredes e um televisor ligado com uma garota sorridente no vídeo. Ela anuncia um televisor igual àquele e ligado, numa sala idêntica e onde se acha, esquecido num canto um disco cujo nome “inferno” da banda punk The Smith aparece em letras grandes e vermelhas.
Desliga-se o televisor e apaga-se a luz. Escuta-se, a princípio, apenas o chiado irritante da agulha sobre os sulcos iniciais do disco. Mas logo depois se ouve o som de guitarras, contrabaixo e bateria. E uma voz começa a cantar assim: “Estou farto de tudo e vou tomar o ônibus vinte e sete e viajar para outra galáxia”.

domingo, 6 de janeiro de 2008

AS CONSTELAÇÕES (Em nome de Alá, o compassivo, o piedoso)

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Na mesinha: Uma velha radiola, com um disco no prato, presumivelmente rodando. No chão, ao lado da mesinha e com o focinho junto à radiola encontra-se um cachorro como se escutasse a música. Ao lado da radiola está a capa do disco onde se acha gravado um cachorro igual àquele e na mesma posição e também escutando a uma radiola idêntica. Sobre o cachorro (o da capa do disco) está escrito RCA. Mas não se pode ler qualquer outra palavra porque em cima da capa do disco há uma casca de banana. Porém, é possível ler, no canto direito do observador, duas letras finais: E e N. Possivelmente o fim do nome BETETHOVEN.

Outros móveis pela sala: Um sofá velho e ensebado, com algumas das molas à mostra e baratas andando pelo forro; uma cadeira tosca de pau e, sobre ela, um cachimbo e uma caixa de aberta, contendo um fumo de cor esverdeada; uma televisão, ligada, mostrando uma garota que anuncia - sorrindo - um aparelho de televisão igual àquele e onde aparece ela própria, a garota, anunciando o mesmo televisor e assim sucessivamente;um piano de cauda sobre o qual descansa uma travessa com um peixe morto, cercado por velas acesas. E vê-se, de perfil, sentado no banquinho e com os dedos no teclado, um esqueleto vestido a rigor.

Objetos espalhados pelo chão: Um jornal totalmente aberto, mostrando a 1ª e a última página. Na primeira, a manchete é CRISE em letras garrafais. E há o retrato de um homem baixo, gordo e calvo, de terno escuro e passando, naquele momento, um lenço no rosto suado. Rosto em que se sobressaem os músculos tensos e a expressão preocupada. Na última página, a manchete é: SUICIDOU-SE NO SUPERMERCADO. E logo abaixo a fotografia do cadáver, com vários curiosos ao seu redor. É um grande anúncio onde se vê também a palavra "supermercado" e uma porção de preços e desenhos de mercadorias.

Outros objetos espalhados pelo chão: Uma gaiola sem pássaros, mas com ossos de pássaros lá dentro; uma moldura sem quadro; uma garrfa de vinho e copos; uma estatueta de Buda; uma revista do homem-aranha, notas e moedas, pílulas, dois dados; roupas de baixo femininas; carrinhos e soldadinhos de plástico; diversos livros, três dos quais ostentando nitidamente os títulos: "Minha luta", de Adolf Hitler; "O profeta", de Gibran Kaliu Gibran e "Como cultivar e coexistir com a neurose", de Carl Sigmund.

ET CETERA

(continua)