...se pensarmos que a vida do autor depende de inúmeros processos involuntários que se interligam em cadeias infinitas, podemos ousadamente dizer, ao ver o livro nas mãos dos leitores, que todo o universo conspirou para que ele existisse...

quinta-feira, 19 de julho de 2007

E a vida se fez de louca...

PEQUENO ROTEIRO PARA UMA HISTÓRIA NORMAL

Ela. Eu. Medo e intensidade. Uma vida inteira pela frente, um dia inteiro. Uma música ao fundo. Figurantes correndo na chuva. Um cachorro, uma válvula. Final sem fim. Trilogia de centenas de dias multiplicados ao extremo do elevado à décima potência. Negona, essas são minhas contas do tempo que te quero comigo.

E A VIDA SE FEZ DE LOUCA

Um homem apaixonado é pior que cachorro na chuva. E como disse minha prima: deus nos dê fígado, pois temos um mundo inteiro pela frente. Uma noite, uma noite apenas e lá estava ela em meio à fumaça. O cheiro da erva empestiava o ar, mas a gente nem ligava. Na verdade não ligávamos pra nada, nem pra nós mesmos. Ela me olhava, mas não me via. Eu idem. Fui embora três vezes pra perceber que tinha que ficar. Foi preciso um puxão no braço: “Fica aí negão. Vai pra onde nessa noite chuvosa?”. Pronto. Aninhei-me como gato. Quatro quartos de conversa e a proposta: vamos ver a chuva?

Com certeza quando tudo vai mal, quando o céu ameaça trovão pode ter certeza: vai piorar. Por sorte (ou destino?) eu não sofri com a lei de Murphy. Ela apareceu do nada e realmente mexeu demais comigo. Sorrisos gratuitos e uma necessidade intrínseca e urgente de permanecer o máximo de tempo possível do lado, perto, dentro. O diálogo mudo dos olhares. Conheci meus olhos verdes num Diretório Central dos Estudantes. Mas, como ela mesma diz já nos conhecíamos antes. Vivíamos cada um na fantasia do outro esperando só pelo momento da materialização. Freud era mesmo muito doido.

Estou num estado absoluto de embriaguez sorridente. Acordo: sorriso. Vejo Zé trabalhar: estou sorrindo. “Viu passarinho verde, seu Marcus?” Vi Zé, vi. E ele canta pra mim no celular. Ela diz que me ama da maneira mais original, diferenciando termos. Eu não digo nada. Estou como a vida... Conservador. Em paz. Não aquela paz bucólica de antes. Uma paz que fica suada depois. Sorriso bobo. Eu gosto de ler estórias pra ela. Como é lindo seu sorriso. Veio pra misturar tudo, pra trair a solidão. Pergunta-me se sentir saudade é bom ou ruim. Reclama do meu cheiro bom dizendo que faz querer não ir embora. Faz-me rir. Rimos juntos. Segredo da felicidade: rir com quem se ama. E vamos sim à praia, quem sabe dormir por lá.

PALAVRA É ERRO

Desoxirribonucléico. Somos mais do que espirais. Também esperava por você negona e quero mesmo que conheça a minha mãe. É impressionante como as coisas mudam tão rapidamente. Começo a suspeitar que a linha que separa a felicidade do seu oposto é muito tênue. Uma pessoa, um lugar, uma vontade. Vontade de estar feliz. Eu estou com vontade de você agora negona. Digo que te adoro e acho que sei a resposta praquela tua pergunta: o amor é mais forte porque contém o “te adoro” nele. Logo...

Sei que você sabe que quando eu não falo nada é porque não precisa. Aquele depois com o mamão e as uvas é perfeito. Olhar. Adoro olhar você. Quando se está apaixonado o diálogo tomo proporções metafísicas. Um olha, o outro olha e pronto. Sobe na moto e sai. Eu queria alguém que me cativasse. Ela me regou. Altas horas da noite e ela diz: “Negão, quando chegar em casa me dá um toque ‘preu’ saber que tu chegou bem”. E ainda me pergunta por que a olho com cara de bobo.

Um comentário:

Filipe Freitas disse...

o do tamanho de nossos limites... pq apesar de as vezes pensarmos q nao... sempre temos... imagine soh uma pessoa q pula de um predio e se depara com o chao no impacto... eh o limite!!!! tenho textos novos!