É como manusear um cristal. De verdade, mesmo, eu nunca vi um cristal, mas aquela conversa poderia ser envolvida nesta fábula. O menino, desconcertado, segura aquele cristal (que todos julgam ser vidro). Ele sabe que não é vidro. Ele percebeu, pelo olhar, que não se trata de um “vrido”. Muito brilho, delicadeza e luz. Não havia de ser vidro e ele provou na prática.
Mal se lembrava de como tudo havia chegado àquele ponto onde ele segurava aquela linda peça de cristal com apenas uma mão. Ela é tão grande e as palavras não suportam sua capacidade, as palavras lhe faltam.
Existe coisa mais deselegante que amar? Ou não amar? As escolhas, decisões e palavras. As piores palavras são as não ditas. Essas doem mais. E o menino foi sincero. Sabia (e sabe!) que não pode cuidar de tão preciosa e rara escultura, que não foi feito para suportar e digerir tamanha responsabilidade. Mesmo sendo esperto e corajoso – condição confirmada quando surrupiou sozinho 13 (TREZE) goiabas do quintal de seu Neco – ele tinha profundo conhecimento de suas limitações. Isso deveria estar claro. Respirou fundo. Cobriu com palavras doces e olhos nos olhos e guardou tranquilamente no coração. Não se quebrou o cristal, quebrou o que unia. Como sempre, como sempre.
...se pensarmos que a vida do autor depende de inúmeros processos involuntários que se interligam em cadeias infinitas, podemos ousadamente dizer, ao ver o livro nas mãos dos leitores, que todo o universo conspirou para que ele existisse...
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4 comentários:
já segurei muitos cristais.... tantos tantos que hoje me tornei um... ninguém quer mais segurar! =/ cuidado com isso. quando nao se sabe segurar um cristal, nao se descarta, se aprende! mesmo!
um dia segurei o coração,
o cristal e o tempo
até que percebi
naquele momento
olhei e vi
que meu intento
foi total
perda de tempo.
Amei...
:)
pelo que entendi o garoto é um homem, e o cristal uma mulher que ele ama, para não machucar a mulher (quebrar o cristal) ele terminou a relação...
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