...se pensarmos que a vida do autor depende de inúmeros processos involuntários que se interligam em cadeias infinitas, podemos ousadamente dizer, ao ver o livro nas mãos dos leitores, que todo o universo conspirou para que ele existisse...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

CARMA: DESCULPA PRA AUSÊNCIA DE SIGNIFICADOS

- Entro dez, vou lanchar duas e saio seis. Decorou?
- Decorei, mas da próxima vez não atenda ao telefone. Só quero que você veja, bem depois, que eu te liguei.

Há muito, muito tempo atrás uma menina. Não fedia e nem cheirava, era namorada de um cabra qualquer. E como esse namoro durou. Logicamente, não existia nos meus sonhos por mais ousados que fossem. Ela era apenas a namoradinha bonita de um cabra. Passamos semanas que se traduziam em anos sem ouvir a mesma música. Ela não existia e nem eu.

- Eu chorei por você e escrevi em diário o que sentia. Você nunca vai saber o que escrevi. Eu não me importo mais. Não quero saber o que você tem a me dizer. Não quis naquela época e quer agora: que se foda!

Forró. Tinha que ser num forró. No meio de um forró, dançamos. E como ela dança bem. Conversa vai, conversa bem. Marcamos. Que nada de Romário e Bebeto, Pelé e Garrincha ou Ronaldinho e Robinho. Entrosamento era conosco. Na cama e fora dela também. Descobri na prática o que depois li em algum lugar: alcançar o Nirvana.

Muitas vidas. Conheci muitas vidas e ela lá. Víamos-nos de vez em nunca e sempre que voltávamos a falar parecia que nada havia acontecido. A capacidade fascinante que ela tem de ser simpática em qualquer momento facilitava as coisas. Minha tia caiu de amores. Pensando bem – quando ela acorda o humor é péssimo. O mais importante é que nossa história é mais complicada que os desígnios divinos. É como um carma. Eu sou o carma de muitas ex-namoradas, mas nunca fui o carma de uma pessoa que nunca namorei. Digo carma porque invariavelmente estamos juntos. A atração física ajuda, mas tem alguma coisa que ainda não consegui decifrar fazendo com que nossas vidas sempre se cruzem. Parece que antigamente o que unia era o incrível entrelaçar dos corpos, o desejo e a descoberta. Isso unia e ainda tinha o sentimento de paixão unilateral, aparentemente. Agora, o que une é a companhia. A conversa é gostosa assim como o sexo. Isso é um dado novo. A gente se falava muito, mas agora conversamos mais sem fazer tanto amor. Conversamos antes, entende?

- Eu sei que você gosta dele, mas vocês não dariam certo. Se ao menos a mãe dele gostasse de você. Ele é meio louquinho, né? Com aquela mania de querer mudar o mundo... ele não trabalha não?

Pela última vez nos encontramos e fizemos amor. A última vez até a próxima. Mas, agora, existe algo novo. Pela primeira vez depois de muito tempo confessaram: - “eu queria que a gente desse certo”. A briga desleal que se passa dentro do corpo. A libido mordendo o pensamento. O pensamento dando tapas no coração que desacordado sonha comigo. Confusão da desgraça e a esperança que tudo acabe bem – juntinhos ou não.

- Se você quiser alguém pra ser só seu é só não se esquecer: estarei aqui.

Um comentário:

Filipe Freitas disse...

como eu mesmo diria... MEOOO DEOOOSSS! absurdo isso! e absurdo como sei exatamente oq eh isso!