EU DEVIA TER ACORDADO MAIS TARDE
Equibrado como um guindaste. Equilíbrio emocional. Acho que ouvi isso em algum lugar, talvez numa dessas revistas de consultório médico de trinta anos atrás. Porque escuto essa música chata que não tem nada a ver? Mudei a estação. Equilíbrío é declarar trégua aos seus intintos. É sentir saudade sem doer. Ontem eu vi numa rua um bando de gente gritando. Leio nos seus olhos uma espécie de ritual. Algo que eles fazem e juram acreditar que não é bobagem. Que forró é perda de tempo, que poesia não é coisa séria. Os bolcheviques são tão chatos. Termômetro serve pra quê mesmo? Lembrei que a escola é o lugar onde a gente aprende palavrão.
E NADA DE ZÉ CHEGAR
Passa-se o tempo, o tempo todo o mundo todo o dia inteiro. Dorme-se tarde, acorda-se cedo com aquela dúvida pertinente: o que cabrunco vou fazer naquela escola? Lembrei: estou em estado permanente de grevre por tempo indeterminado. Eu queria tirar greve dos outros, menos de Sayô. S. Me ouve, pensa que me entende e ficamos nos olhando. Sayô foi embora. Junto com a minha capacidade de sonhar a dois. Uma loucurazinha iria cair bem, mas sempre tem um monte de “mas”, “porém”, meus pais e et cetera.
Ah, se eu fosse metade do que esperam que eu seja. “Mas Marquinhos, você é tão inteligente. Olha como desenha bem”. Se isso desse dinheiro... Acabei de falar com ela. Telefone é insensível, num dá pra sentir o cheiro. E onde peste se enfiou o pedreiro que vai levantar o muro da frente? Sem ajudante, sobrou pra mim. “Mas Marcus, tu num sabe nem cavar um buraco?”. Minha mãe pensa que todo homem geneticamente tem um manual de como realizar tarefas na cabeça. Eu só queria ver Saiô.
NEM SÓ DE LUZ VIVE O HOMEM
Quando eu sou palhaço que nome eu teria? Começou a chover. Agora é que o Zé num vem mesmo. Como é que um pedreiro mora no bairro ao lado e demora mais de três horas? Tá carregando o burro nas costas. Só pode. Essa chuva, esse silêncio. Me lembra prova de estatística na quinta-feira. Na tv existem recomendações do que fazer em dia de chuva. Eita, pôr uma toalha em cima do computador e da televisão pra não molhar. Rita tá lá fora se divertindo com outros cachorros. Como tenho inveja dela. Ela corre com a língua pra fora absorvendo os pingos de chuva pelada. Ninguém repara e quando o fazem atiram pedras. Nem só de luz vive o homem, vive dos cachorros e sua incrível capacidade de serem felizes sem terem nada.
Estava conversando com um colega de ocasião quando ele disse que na próxima encarnação queria nascer gato. Vacinei logo dizendo que, segundo os espíritas, o gato é um ser que ainda não evoluiu. Dormir, cagar, ser lindo não importa a espécie, trepar quando dá aquela vontade sem problemas e ainda por cima (mesmo sem querer) receber afago de tortos e direitos. Evolução. Gatos se lambem, humanos também. É um começo. Tá chovendo. Será que eu vou ficar nervoso quando vê-la?
...se pensarmos que a vida do autor depende de inúmeros processos involuntários que se interligam em cadeias infinitas, podemos ousadamente dizer, ao ver o livro nas mãos dos leitores, que todo o universo conspirou para que ele existisse...
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3 comentários:
Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas, às vezes, a saudade é tão
profunda que a presença é pouco:
Quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro, para
uma unificação inteira, é um dos
sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
( Clarice Lispector )
xêrinhossssssss
lindo demais!
agora já posso comentar =)
é tao bom te ler... e eu finjo que imagino cada palavra saindo da tela exatamente na intonaçao que voce diria.
;* que saudade de você
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