...se pensarmos que a vida do autor depende de inúmeros processos involuntários que se interligam em cadeias infinitas, podemos ousadamente dizer, ao ver o livro nas mãos dos leitores, que todo o universo conspirou para que ele existisse...

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

A MALDIÇÃO DOS BLOGUEIROS

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1º pegue um livro próximo (PRÓXIMO, não procure!)
2º abra na página 161
3º procure a 5ª frase completa
4º poste esta frase no seu blog
5º não escolha a melhor frase nem o melhor livro
6º repasse para outros cinco blogs


"Não se deve esperar que os problemas se acumulem
e dêem lugar a múltiplas complicações, para só então
tentar resolvê-los."

TUNG, Mao Tsé. O livro vermelho. Pequim, 1972.
Texto integral. Martin Claret.

Eu amaldicôo:

Carla
Juliana Grosskopf
Wille
Aline Ayalla
Andréia

domingo, 23 de dezembro de 2007

O AMOR NÃO TEM IDADE

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- Romântico, como todo amor merece!

O amor era mesmo grande. E por isso ficara guardado durante meses e meses. Não tivera coragem de abrir o segredo com nenhum dos amigos. Imaginava a gozação, a brincadeira, a farra. Seria insuportável ficar na classe, assistir as aulas se algum deles soubesse do seu tão bem guardado amor.

- Não é um amorzinho qualquer não, desses que começam e acabam numa mesma festa, numa única noite.

Era pra valer. Para demorar. Para sempre, talvez. Uma paixão que começara demorada e por partes. Primeiro fora pela voz dela. Macia como veludo novo. Gostava de ouvi-la falar e, quanto mais perto ela falava, mais se apaixonava. As palavras, os números e as idéias saíam como vindos do fundo do coração. Depois os olhos. Não eram verdes nem azuis como as atrizes de TV e manequins de revistas. Eram apenas pretos. Belamente pretos. Pareciam querer ver o mundo inteiro, de todo mundo, por seu par de olhos. Parecia descobrir telepaticamente em que as pessoas da classe pensavam. Uma vez quase o desarmara, quando sugeriu – de repente – flagrando-o no mundo da lua: “pensando no seu grande amor?”. Ele se atrapalhara, sem resposta e ela permanecera inteira, dona da brincadeira, deliciando-se com o sem-jeito dele. Depois da voz e dos olhos, descobriu os cabelos. E sonhou com eles tantas e quantas vezes seu sono atribulado permitiu.
Sonhava com os cabelos dela roçando de leve sua face. Em seguida, veio o sorriso. Depois as mãos, os dedos finos e as unhas de esmalte escuro. Finalmente apaixonou-se pelo corpo todo, por ela inteira. E aí a coisa ficou doida. Enquanto eram os olhos, os cabelos, o sorriso, as mãos, dava pra esconder, guardar num pedacinho de vida qualquer, numa página de caderno ou livro. Mas quando ela inteira tomou conta do seu coração novo, desacostumado a essas comoções mais fortes, ficou mais difícil de agüentar. E foi um tal de ficar mal-humorado, de rejeitar conversas longas, de fugir das farras do grupo, de se atrapalhar com as aulas, notas e exercícios.

- É hoje ou nunca mais. No fim da aula ela vai saber do meu amor. Dê no que dê, ela vai saber.

Tinha, é verdade, uma grande problema: a diferença de idade entre os dois. Ele era um molecão e ela, uma mulher. Bem... as mulheres são mesmo assim, se desenvolvem e amadurecem mais depressa do que os homens. Sempre ouvira isso e teria esse detalhe a seu favor. Claro, imaginando que seu grande, bonito e romântico amor, fosse compreendido.

- Isso não importa.

Tinha até procurado – e encontrado – algumas poesias de poetas famosos e não famosos que tratavam do assunto: amores descompassados de idade. E vivia dizendo que o amor não tem idade. Dizia isso mesmo numa acalourada redação de português em que narrou o amor de um jovem por uma mulher madura, texto terminado pelo clichê: “O amor não tem idade”. Estava cheia de erros de ortografia e pontuação. A professora, insensível, classificara o trabalho do apaixonado escritor de “razoável” e inundara-o de riscos, cruzes e sinais indecifráveis.

- Ela não entenderia.

Nem ele entendeu o que é “paichão”, vai ver que eu tinha pensado em “paixão”. Só quem vive um grande amor assim poderia escrever esquecido das regras gramaticais. E inventou outro clichê: “O amor não conhece regras gramaticais”.

domingo, 16 de dezembro de 2007

MEU DEDO NÃO É GROSSO pt. II

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...O Rei convocou seu conselho e, aflito, exigiu uma solução. Os sábios sacerdotes destilaram a seguinte máxima: "Meu Rei, a jovem princesa não tem que ser como os outros, os outros é que devem ser como ela". E sugeriram a criação de um baile anual onde todos os jovens do reino seriam convidados. Destes, um seria escolhido pela princesa para ser seu noivo - futuro rei.

Supimpa! - sorriu o Rei. Mas qual seria o critério para entrar no baile? - questionava o manda-chuva. Os conselheiros logo pensaram em uma máquina de nome "vestíbulo" onde colocariam o seu dedo médio da mão esquerda e, dependendo da grossura, marcariam um pre-definido número de pontos e teriam acesso. O baile comportava mil lugares.

Foram criados cursinhos engorda-dedo e os jovens deixaram de lado a poesia e a música para se dedicaram exclusivamente no novo plano de vida: engordar o dedo. Os pais, orgulhosos, diziam: "Olha esse menino, tão novo e já tem o dedo tão gordinho". E punham-se a trabalhar mais para colocar as crianças em escolas mais rigorosas com relação ao engordamento dos dedos.

Não demorou para se perceber uma nuvem de tristeza naquele reino. Algo nunca visto antes. Os jovens que não conseguiam entrar ficavam tristes, com seus dedões deformados. Nao podiam mais dedilhar notas nos violões.

Os pais reclamavam, diziam que eles não haviam se esforçado o suficiente.

E assim foi.

p.s. essa história não tem final, muito menos feliz.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

MEU DEDO NÃO É GROSSO

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Conta uma lenda que num país bem perto daqui nasceu uma linda menininha. Ela era a princesa tão esperada. Seus pais, orgulhosos, cobriam-na de elogios e afagos. Chamaram todos os magos, fadas e pastores evangélicos do reino para abençoar a filha. Vieram e abençoaram. É claro que o rei não convidou a bruxa má que vivia na floresta negra. Problemas ideológicos.

Os corvos, algozes da bruxa, aprontaram-se e procuraram na linda princesinha algum ponto vulnerável. Descobriram que havia um único lugar desprotegido: o dedo médio da mão esquerda. - Mais que suficiente! - gritou a bruxa. E pôs-se a entoar cânticos de mal agouro. "O dedo irá crescer, crescer e crescer!!! - berrava a bruxa enquanto soltava aquelas risadas já conhecidas.

Dito e certo. O dedo de Risoflora (nome da garotinha) crescia vulgarmente. Mal podia calçar as lindas luvinhas de renda, não podia tocar piano. A princesa entristecia. Seu pai andava preocupado. Não sabia o que fazer... (continua)

sábado, 1 de dezembro de 2007

OS HOMENS TÊM EGO FRÁGIL, É PRECISO SABER FALAR COM ELES PARA SE TER AS COISAS

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É como manusear um cristal. De verdade, mesmo, eu nunca vi um cristal, mas aquela conversa poderia ser envolvida nesta fábula. O menino, desconcertado, segura aquele cristal (que todos julgam ser vidro). Ele sabe que não é vidro. Ele percebeu, pelo olhar, que não se trata de um “vrido”. Muito brilho, delicadeza e luz. Não havia de ser vidro e ele provou na prática.

Mal se lembrava de como tudo havia chegado àquele ponto onde ele segurava aquela linda peça de cristal com apenas uma mão. Ela é tão grande e as palavras não suportam sua capacidade, as palavras lhe faltam.

Existe coisa mais deselegante que amar? Ou não amar? As escolhas, decisões e palavras. As piores palavras são as não ditas. Essas doem mais. E o menino foi sincero. Sabia (e sabe!) que não pode cuidar de tão preciosa e rara escultura, que não foi feito para suportar e digerir tamanha responsabilidade. Mesmo sendo esperto e corajoso – condição confirmada quando surrupiou sozinho 13 (TREZE) goiabas do quintal de seu Neco – ele tinha profundo conhecimento de suas limitações. Isso deveria estar claro. Respirou fundo. Cobriu com palavras doces e olhos nos olhos e guardou tranquilamente no coração. Não se quebrou o cristal, quebrou o que unia. Como sempre, como sempre.