...se pensarmos que a vida do autor depende de inúmeros processos involuntários que se interligam em cadeias infinitas, podemos ousadamente dizer, ao ver o livro nas mãos dos leitores, que todo o universo conspirou para que ele existisse...

sábado, 17 de novembro de 2007

PEQUENO NOVO ROTEIRO DE UMA HISTÓRIA ANTIGA QUE COMEÇOU TEM DUAS SEMANAS

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Todo mundo tem uma história como esta. O mocinho, a mocinha. A situação, os beijos e os poemas. O impedimento (namoro ou não), a fuga, a briga. O tempo sem se ver... a saudade incubada e discretamente segredada em algum ponto distante do armário. O reencontro e a reconquista. Novo erro, as brigas e o afastamento.

HÁ MALES QUE, DEFINITIVAMENTE, VÊM PARA O BEM

Por isso eu sempre digo: Tá ruim, nego? A situação está complicada? Não se preocupe. Se você tem um problema e ele tem solução fique despreocupado. Afinal, ele tem solução. Agora, se você tem um problema sem solução, aí sim você deve... se despreocupar. Não tem solução, ora bolas.

Sendo assim, uma conversa no msn resolve tudo. Uma conversa puxada sem querer. A gente olha e lá está "Num sei quem entrou". Ora, se entrou nós dizemos "Como vai, fique à vontade". Ela ficou tão à vontade que hoje mora aqui. Falávamos sobre mães doentes e logo marcamos aquele anti-depressivo.

Só deus, nas histórias mais escabrosas da bíblia, teria maior imaginação para tirar do nada o mundo. Assim se sucedeu. Do nada: uma conversa e um beijo. Tudo de volta...

O QUE TEMOS A PERDER??

Afinal, porque milhares de pessoas cultuam o CARPE DIEM mas se preocupam loucamente com a semana que vem? Com certeza você já deve ter dito pra si mesm@ várias vezes: Viverei o hoje e pronto! Geralmente essa expressão é o resultado de planos amorosos que encalham ou simplesmente naufragam.

Eu tinha uma opção: ser feliz. Agarrei, oras. Daquele jeito que descrevem nos livros de conquista: "Você deve suavemente colocar a mão na nuca da amante e com os dedos agarrar com vigor os cabelos trazendo pra si o corpo feminino. Com o outro braço, envolva o quadril dela até que sua mão se poste em cima do bumbum. Traga-a pra si. Ela estará completamente invunerável. Olhe-a fixamente! Quando ela menos esperar, rasgue um beijo dilacerante."

Ela tinha duas opções: ser feliz ou simplesmente viver. Titubeou o bastante até perceber que poderia (quem sabe) perder-me. Depois disso, não perdeu tempo e me ligou.

MAS, ME DIGAM: QUAL O PRAZO DE DURAÇÃO DE UM RELACIONAMENTO?

(...)

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

MINHA M]ÃE É DO BOPE

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Silêncio. O sol invade sorrateiro as frestas da janela. Aquele cheirinho de manhã. Café, creme&craque e manteiga. A penumbra e a preguiça. Ah, a preguiça. De repente, como que de repente, realmente sem esperar a porta se abre num rompante de fúria. De fora se ouve uma voz estridente:

“ – Que horas o senhor pretende acordar?”

A única forma de se manter alheio à pergunta desconcertante é usando a arma que se tem à mão: o lençol. Cobrindo o rosto, a tentativa inútil de sufocar o grito cai por terra quando uma mão desfaz a cobertura salvadora e declara com dedo em riste apontando para o rosto ainda adormecido:

“ – O senhor é um fanfarrão! Vamos, o senhor tem 10 segundos para estar de pé! (essa última frase gritada bem próxima ao tímpano de forma bem articulada).” V-A-M-O-S, O S-E-N-H-O-R T-E-M D-E-Z S-E-G-U-N-D-O-S...

O sono e o grito entorpecem o corpo ainda inerte. A confusão entre sonho e realidade é absurda. O pesadelo é real e o sonho se desfigura com o maldito sol que entra safado pelos buraquinhos na janela. Enfim, de pé. A vistoria é feita. Cabelo, barba, olhos, dentes e roupas. Depois de passar a tropa (eu!) em revista, é cronometrado o café. Aquele insosso creme&craque com café preto. A cara de desprezo pelo manjar. A vontade contida de correr para os braços de tão jovem cama. Aquele cheiro desprezível de manhã, aquele nojo de café e creme&craque.

“ – Tá com nojinho, Marcus? Tá com nojinho, Marcus? Apois tu vai comer é nada! Adiante que o carro de 6:15 (SEIS e QUINZE!) já passou!”

Aos chutes e berros sou atirado na rua com um dedo apontando a esquina. É o carro de 6:30 (SEIS E MEIA DA MANHÃ!!!) que passa e eu tenho que correr. Antes de chegar à condução ainda permito uma última ofensa que insisti em chegar aos meus ouvidos, mesmo com a distância:

“ – Mas é um vagabundo mesmo!”

domingo, 4 de novembro de 2007

A DETERMINAÇÃO DE ALGO QUE NÃO SE SABE AO CERTO ONDE VAI DAR, MAS QUE VAI DAR NO LUGAR CERTO

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Fico me perguntando se um passarinho (pequenininho) – quando se atira do tranqüilo ninho no galho mais alto buscando voar – é idiota ou ousado. O passarinho é criado para sempre esperar o momento certo. Esse momento é definido única e exclusivamente pelos seus pais – sábios – que irão lhe dizer quando alçar o seu primeiro vôo.

Assim era com Tico. Ele era o mais novo passarinho daquela ninhada de pequenos joãos-de-barro. Desde pequenininho ele era alimentado e esquentado pelos seus pais. Tico via os passarinhos voando e sonhava:

“ – Um dia irei voar com minhas próprias asas, eles vão ver.

Tico cresceu. E como todo joão-de-barro que se preze oficiou-se como pedreiro. Aprendeu com gosto o trabalho do pai. Construiu sua casa e a de vários pássaros da região. Só que Tico era diferente. Na verdade, Tico era estranho. Ele se preocupava demais com os detalhes e vivia “inventando moda”. Os pica-paus gracejavam:

“ – Lá vai o Tico. Uma flor de passarinho! E caiam na gargalhada.”

O pai de Tico ficou preocupado. Percebia que, apesar de ter aprendido o ofício de pedreiro (inerente à sua natureza) seu filho mostrava outras habilidades. O problema é que a vizinhança tava falando e a mulher – mãe de Tico – a todo o momento falava:

“ – Esse menino não tem jeito. Só quer fazer o que dá na telha. É melhor pensar bem antes que ele faça alguma besteira com seu futuro (o dele)!”

Sendo assim, num dia aparentemente como qualquer outro, Tico apareceu em casa e disse de forma prática e sincera, sem titubear e com voz de pássaro:

“ – Cansei desse emprego, quero coisa nova!”

O pai de Tico, tadinho, quase morre. As penas afrouxaram e ele bateu com o bico na mesa. A mãe tratou logo de atirar meio quilo de “porquês” aquilo era uma birutice, um despaltério, uma loucura. Provou por a + b que ele tinha mais é que se aprofundar nos exames de pedreiro, que o título de pedreiro era a coisa mais importante e blá blá blá.

Tico ouviu.

Depois de muito falatório o pequeno passarinho olhou os pais bem no fundo dos olhos. Deu meia volta e vislumbrou a porta da toca. Deu alguns passos e viu o abismo entre as folhas. Ele nunca havia pulado. Sempre andou pelos galhos. Olhou pra baixo, depois olhou pra cima – pras nuvens. Deu um suspiro e pulou. Ele era livre...

a filipe